Química Geral — Ligações Covalentes e Estruturas de Lewis
Do compartilhamento de elétrons à geometria molecular
1 — Motivação
"O que H₂O, CO₂, NH₃ e o DNA têm em comum? São todos sustentados por ligações covalentes — o compartilhamento estratégico de elétrons entre átomos."
- O carbono forma até quatro ligações covalentes, criando a imensa diversidade das moléculas orgânicas
- A dupla hélice do DNA é mantida por ligações C–C, C–N, C–O e P–O covalentes
- A geometria de uma molécula — angular, piramidal, tetraédrica — determina sua reatividade, solubilidade e polaridade
A ligação covalente não é apenas "compartilhamento de elétrons": é a sobreposição de funções de onda atômicas que cria uma região de alta densidade eletrônica entre os núcleos, estabilizando o sistema pela atração mútua de ambos os núcleos sobre os elétrons compartilhados.
2 — O que é uma Ligação Covalente?
A ligação covalente forma-se quando dois átomos compartilham um ou mais pares de elétrons. Em contraste com a ligação iônica (transferência completa de elétrons), na ligação covalente os elétrons pertencem a ambos os átomos simultaneamente.
Critério de eletronegatividade (Pauling):
| Δχ | Tipo de ligação |
|---|---|
| < 0,4 | Covalente apolar |
| 0,4 – 1,7 | Covalente polar |
| > 1,7 | Iônica |
Curva de energia potencial para H₂:
E (kJ/mol)
0 ────────────────────────────────
\
\
\____/
↑
mínimo: r₀ = 74 pm
E = −432 kJ/mol
r →- Em $r \to \infty$: átomos separados, $E = 0$
- Em $r = r_0 = 74$ pm: mínimo de energia — a energia de ligação H–H é 432 kJ/mol
- Em $r < r_0$: repulsão núcleo–núcleo e repulsão de Pauli entre nuvens eletrônicas aumentam abruptamente
Origem da estabilização:
Quando os orbitais $1s$ dos dois átomos de H se sobrepõem, a densidade eletrônica aumenta na região internuclear. Os dois elétrons compartilhados atraem simultaneamente ambos os núcleos — essa é a essência da ligação covalente.
3 — Símbolos e Estruturas de Lewis
3.1 — Símbolos de Lewis
Cada elétron de valência é representado por um ponto ao redor do símbolo do elemento. Pares são agrupados aos pares nos quatro lados do símbolo:
H· ·Ċ· :Ṅ· :Ö: :F̈: :N̈e:3.2 — Regra do Octeto
Átomos tendem a formar ligações para atingir 8 elétrons na camada de valência (exceto H e He, que buscam 2), imitando a configuração dos gases nobres.
Exceções ao octeto:
| Caso | Exemplo | Motivo |
|---|---|---|
| Octeto incompleto | BF₃ (6 e⁻ em B) | B tem só 3 e⁻ de valência |
| Octeto expandido | PCl₅, SF₆ | Período 3+: orbitais d disponíveis |
| Radical (nº ímpar de e⁻) | NO, NO₂ | Nº total ímpar impede completar pares |
3.3 — Procedimento Passo a Passo
- Conte o total de elétrons de valência (some os de todos os átomos; ânions: some a carga; cátions: subtraia)
- Determine o átomo central: geralmente o menos eletronegativo (frequentemente C, N, S, P; nunca H)
- Conecte os átomos com ligações simples (consome 2 e⁻ por ligação)
- Distribua os elétrons restantes como pares não-ligantes, completando os octetos dos átomos externos (H só precisa de 2)
- Verifique o octeto do átomo central; se incompleto, converta pares não-ligantes dos átomos externos em ligações duplas ou triplas
Exemplo completo: CO₂
- Total de e⁻: $4 + 2 \times 6 = 16$
- Átomo central: C
- Esqueleto O–C–O: consome 4 e⁻ → restam 12
- Completar octeto dos O: $2 \times 3 = 6$ pares (12 e⁻) → restam 0 para C
- C ficaria com apenas 4 e⁻ → converter 1 par livre de cada O em ligação dupla:
\[\text{O=C=O}\]
Verificação: cada O tem 8 e⁻ (4 ligantes + 4 não-ligantes), C tem 8 e⁻ (8 ligantes). ✓
Tabela de exemplos:
| Molécula | e⁻ totais | Estrutura de Lewis | Pares livres no central |
|---|---|---|---|
| H₂O | 8 | H–O(::)–H | 2 |
| NH₃ | 8 | H–N(:)–H (H abaixo) | 1 |
| CH₄ | 8 | 4 ligações C–H | 0 |
| CO₂ | 16 | O=C=O | 0 |
| N₂ | 10 | :N≡N: | 1 por N |
| HCN | 10 | H–C≡N: | 0 (C), 1 (N) |
4 — Ligações Simples, Duplas e Triplas
| Tipo | Pares | σ | π | Comprimento C–C | Energia (C–C) |
|---|---|---|---|---|---|
| Simples | 1 | 1 | 0 | 154 pm | 347 kJ/mol |
| Dupla | 2 | 1 | 1 | 134 pm | 614 kJ/mol |
| Tripla | 3 | 1 | 2 | 120 pm | 839 kJ/mol |
Mais ligações → comprimento menor → energia de ligação maior (mais difícil de romper).
Ligação σ (sigma):
- Formada pela sobreposição frontal (cabeça-a-cabeça) de orbitais atômicos
- Densidade eletrônica concentrada no eixo internuclear
- Presente em toda ligação covalente (simples, dupla ou tripla)
Ligação π (pi):
- Formada pela sobreposição lateral de orbitais $p$ paralelos
- Densidade eletrônica distribuída acima e abaixo do eixo internuclear
- Presente apenas em ligações duplas (1π) e triplas (2π)
- Mais fraca que σ: mais facilmente rompida em reações de adição
Ligações em N₂:
:N≡N: → 1 ligação σ + 2 ligações π
(eixo z) (planos xz e yz)5 — Carga Formal
A carga formal (CF) de um átomo em uma estrutura de Lewis é o número de elétrons que ele "possui" formalmente em comparação com o átomo neutro isolado:
\[\text{CF} = (\text{e}^-\ \text{de valência}) - (\text{e}^-\ \text{não-ligantes}) - \tfrac{1}{2}(\text{e}^-\ \text{ligantes})\]
Regras para escolher a melhor estrutura de Lewis:
- Estruturas com cargas formais mais próximas de zero são mais estáveis
- Cargas negativas devem estar nos átomos mais eletronegativos
- Cargas formais de mesmo sinal em átomos adjacentes são desfavoráveis
Exemplo: CO₂ — comparação de estruturas
| Estrutura | CF(O esq.) | CF(C) | CF(O dir.) | Estabilidade |
|---|---|---|---|---|
| O=C=O (duplas) | 0 | 0 | 0 | ✓ mais estável |
| :O–C≡O:⁺ | −1 | +1 | 0 | menos estável |
| :Ö:–C–:Ö:²⁻ | −1 | +2 | −1 | muito instável |
A estrutura com todas as cargas formais nulas é sempre preferida.
6 — Ressonância
Quando mais de uma estrutura de Lewis válida pode ser desenhada para uma espécie (diferindo apenas na posição dos elétrons, não dos núcleos), diz-se que há ressonância.
A molécula não oscila entre as estruturas — ela é uma mistura híbrida de todas, com ordem de ligação intermediária e maior estabilização (energia de ressonância).
Exemplo: O₃ (ozônio)
:Ö–Ö=Ö: ←→ :Ö=Ö–Ö:As duas ligações O–O do ozônio real têm comprimento 128 pm, entre ligação simples O–O (148 pm) e dupla O=O (121 pm), confirmando o caráter híbrido.
Exemplos importantes:
| Espécie | Nº de estruturas | Ordem de ligação média | Comprimento observado |
|---|---|---|---|
| O₃ | 2 | 1,5 | 128 pm |
| CO₃²⁻ | 3 | 1,33 | 129 pm |
| NO₃⁻ | 3 | 1,33 | 124 pm |
| C₆H₆ (benzeno) | 2 | 1,5 | 140 pm |
Ordem de ligação a partir da ressonância:
\[\text{Ordem média} = \frac{\sum(\text{ordem em cada estrutura})}{\text{número de estruturas equivalentes}}\]
Para CO₃²⁻ (1 dupla + 2 simples em cada estrutura): $\text{Ordem} = \frac{2 + 1 + 1}{3} = \frac{4}{3} \approx 1{,}33$
7 — Polaridade de Ligações e Moléculas
7.1 — Ligação Covalente Polar
Quando dois átomos diferentes compartilham elétrons, o átomo mais eletronegativo atrai a densidade eletrônica para si, criando um dipolo de ligação:
\[\overset{\delta+}{\text{H}} - \overset{\delta-}{\text{Cl}} \qquad \vec{\mu} \neq 0\]
O momento de dipolo $\mu$ é uma grandeza vetorial (aponta do δ+ para o δ−):
\[\mu = q \cdot d\]
onde $q$ é a carga parcial e $d$ é o comprimento de ligação. A unidade é o Debye (D); $1\ \text{D} = 3{,}336 \times 10^{-30}\ \text{C·m}$.
Eletronegatividades de Pauling (seleção):
| F | O | Cl | N | Br | C | S | H | Na |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 4,0 | 3,5 | 3,2 | 3,0 | 2,9 | 2,6 | 2,6 | 2,2 | 0,9 |
7.2 — Polaridade Molecular
A polaridade de uma molécula depende da composição vetorial de todos os momentos de dipolo de ligação. Uma molécula é polar se o vetor soma resultante for $\neq 0$.
| Molécula | Geometria | Simetria | Dipolo resultante | $\mu$ (D) |
|---|---|---|---|---|
| CO₂ | Linear | Simétrica | 0 (cancelam) | 0 |
| H₂O | Angular | Assimétrica | ≠ 0 | 1,85 |
| CH₄ | Tetraédrica | Simétrica | 0 (cancelam) | 0 |
| NH₃ | Piramidal | Assimétrica | ≠ 0 | 1,47 |
| HCl | Linear | — | ≠ 0 | 1,08 |
| CCl₄ | Tetraédrica | Simétrica | 0 (cancelam) | 0 |
Regra: Mesmo com ligações polares, uma molécula geometricamente simétrica com ligações idênticas é apolar (CO₂, CH₄, BF₃, CCl₄, SF₆).
8 — Geometria Molecular: Teoria VSEPR
A Teoria da Repulsão dos Pares de Elétrons da Camada de Valência (VSEPR) prevê a geometria molecular a partir de um princípio simples:
Os pares eletrônicos ao redor do átomo central (ligantes e não-ligantes) se afastam ao máximo para minimizar a repulsão elétron–elétron.
Ordem de repulsão: $\text{par livre — par livre} > \text{par livre — par ligante} > \text{par ligante — par ligante}$
Por isso, pares livres comprimem os ângulos de ligação.
Geometrias mais comuns:
| Pares totais | Pares ligantes | Pares livres | Geometria molecular | Ângulo | Exemplo |
|---|---|---|---|---|---|
| 2 | 2 | 0 | Linear | 180° | CO₂, BeCl₂ |
| 3 | 3 | 0 | Trigonal plana | 120° | BF₃, SO₃ |
| 3 | 2 | 1 | Angular | <120° | SO₂ (119°) |
| 4 | 4 | 0 | Tetraédrica | 109,5° | CH₄, SiCl₄ |
| 4 | 3 | 1 | Piramidal triangular | <109,5° | NH₃ (107°) |
| 4 | 2 | 2 | Angular | <109,5° | H₂O (104,5°) |
| 5 | 5 | 0 | Bipirâmide triangular | 90°/120° | PCl₅ |
| 6 | 6 | 0 | Octaédrica | 90° | SF₆ |
Efeito dos pares livres nos ângulos:
CH₄ → 109,5° (0 pares livres)
NH₃ → 107,0° (1 par livre: comprime ≈ 2,5°)
H₂O → 104,5° (2 pares livres: comprime ≈ 5°)9 — Propriedades dos Compostos Moleculares
| Propriedade | Composto Molecular | Composto Iônico |
|---|---|---|
| Estado à T ambiente | Sólido, líquido ou gás | Sólido |
| Ponto de fusão/ebulição | Geralmente baixo | Alto (centenas a milhares de °C) |
| Condutividade elétrica | Não conduz (maioria) | Conduz (fundido ou em solução) |
| Solubilidade em água | Variável ("semelhante dissolve semelhante") | Alta (para a maioria) |
| Força que mantém o sólido | Forças intermoleculares | Energia de rede eletrostática |
Os baixos pontos de fusão de compostos moleculares devem-se às fracas forças intermoleculares (van der Waals, dipolo-dipolo, ligação de hidrogênio) que mantêm as moléculas unidas no sólido — não à força das ligações covalentes internas, que são fortes (> 200 kJ/mol).
10 — Comparação: Iônica vs. Covalente
| Aspecto | Iônica | Covalente |
|---|---|---|
| Formação | Transferência de e⁻ (Δχ > 1,7) | Compartilhamento de e⁻ (Δχ < 1,7) |
| Unidade estrutural | Rede cristalina | Molécula discreta |
| Força interna | Eletrostática (Coulomb, longo alcance) | Sobreposição de orbitais (curto alcance) |
| Estado à T amb. | Sólido iônico | Sólido, líquido ou gás |
| Condutividade | Sim (fundido/aq.) | Não (maioria) |
| Exemplos | NaCl, MgO, CaF₂ | H₂O, CO₂, C₆H₆, NH₃ |
11 — Mapa Conceitual da Aula
ÁTOMOS COM Δχ < 1,7
│
COMPARTILHAMENTO de e⁻
┌─────┴──────┐
│ │
SIMPLES DUPLA / TRIPLA
(σ) (σ + π / σ + 2π)
└─────┬──────┘
│
ESTRUTURAS DE LEWIS
┌──────┴───────┐
│ │
CARGA FORMAL RESSONÂNCIA
(estabilidade) (deslocalização)
│
┌────┴────┐
│ │
POLAR APOLAR
(Δχ ≠ 0) (Δχ = 0)
└────┬────┘
│
GEOMETRIA VSEPR
(pares ligantes + livres)
│
┌────┴─────┐
│ │
DIPOLO PROPRIEDADES
MOLECULAR (pf, ebulição, solub.)12 — Resumo e Conexões
| Conceito | Definição | Ferramenta / Critério |
|---|---|---|
| Ligação covalente | Compartilhamento de par(es) de e⁻ | Δχ < 1,7 |
| Estrutura de Lewis | Representação dos e⁻ de valência | Regra do octeto + contagem de e⁻ |
| Carga formal | Distribuição formal de e⁻ num átomo | CF = Val − NL − ½L |
| Ressonância | Múltiplas estruturas de Lewis válidas | e⁻ deslocalizados; comprimento intermediário |
| Polaridade de ligação | Distribuição assimétrica de e⁻ | Diferença de eletronegatividade |
| Dipolo molecular | Vetor soma dos dipolos de ligação | Geometria molecular + simetria |
| VSEPR | Previsão da geometria | Repulsão mínima entre pares eletrônicos |
13 — Exercícios Propostos
1. Desenhe a estrutura de Lewis de cada espécie e determine o número de pares ligantes e não-ligantes no átomo central:
- (a) H₂O
- (b) NH₃
- (c) CH₄
- (d) CO₂
- (e) N₂
2. Para cada ligação abaixo, classifique como apolar, covalente polar ou iônica, justificando com a diferença de eletronegatividade ($\chi$):
| Ligação | $\chi_A$ | $\chi_B$ | |––––-|––––|––––| | H–H | 2,2 | 2,2 | | H–Cl | 2,2 | 3,2 | | Na–Cl | 0,9 | 3,2 | | C–H | 2,6 | 2,2 | | C=O | 2,6 | 3,5 |
3. Para o íon carbonato (CO₃²⁻):
- (a) Conte o total de elétrons de valência (lembre-se da carga −2).
- (b) Desenhe as três estruturas de ressonância.
- (c) Calcule a carga formal de cada átomo na estrutura com uma ligação C=O.
- (d) Qual é a ordem de ligação média C–O? O comprimento observado de 129 pm (entre 143 pm para C–O simples e 123 pm para C=O dupla) é consistente com sua resposta?
4. Usando a teoria VSEPR, preveja a geometria molecular e o ângulo de ligação esperado para as seguintes espécies. Indique também se a molécula é polar ou apolar:
- (a) BeCl₂
- (b) BF₃
- (c) CH₄
- (d) NH₃
- (e) H₂O
- (f) PCl₅
5. O HF tem momento de dipolo $\mu = 1{,}82$ D e comprimento de ligação $d = 91{,}7$ pm. O HCl tem $\mu = 1{,}08$ D e $d = 127{,}4$ pm (1 D = 3,336 × 10⁻³⁰ C·m; $e = 1{,}602 \times 10^{-19}$ C).
- (a) Calcule a carga parcial $\delta$ em frações de $e$ para HF e HCl.
- (b) Qual dos dois tem maior caráter iônico? Explique em termos de eletronegatividade.
- (c) Por que o HF tem $\mu$ maior que o HCl mesmo sendo o comprimento de ligação do HF menor?
14 — Gabarito dos Exercícios
1.
- (a) H₂O: O central, 2 pares livres, 2 ligações O–H. Octeto: ✓
- (b) NH₃: N central, 1 par livre, 3 ligações N–H. Octeto: ✓
- (c) CH₄: C central, 0 pares livres, 4 ligações C–H. Octeto: ✓
- (d) CO₂: C central, 0 pares livres, 2 ligações duplas C=O; cada O tem 2 pares livres. Octeto: ✓
- (e) N₂: ligação tripla N≡N, 1 par livre por N. Octeto: ✓
2.
| Ligação | Δχ | Classificação |
|---|---|---|
| H–H | 0 | Covalente apolar |
| H–Cl | 1,0 | Covalente polar (δ+ em H, δ− em Cl) |
| Na–Cl | 2,3 | Iônica (Δχ > 1,7) |
| C–H | 0,4 | Apolar (limite; frequentemente tratada como apolar) |
| C=O | 0,9 | Covalente polar (δ+ em C, δ− em O) |
3.
- (a) Total e⁻: $4 + 3\times6 + 2 = 24$
- (b) Três estruturas: em cada uma, C forma uma ligação dupla C=O e duas ligações simples C–O; os O com ligação simples carregam carga −1. As três diferem apenas em qual O recebe a ligação dupla.
- (c) Na estrutura com uma C=O:
- CF(C) = $4 - 0 - \frac{8}{2} = 0$
- CF(O, ligação dupla) = $6 - 4 - \frac{4}{2} = 0$
- CF(O, ligação simples) = $6 - 6 - \frac{2}{2} = -1$
- (d) Ordem média $= (2 + 1 + 1)/3 = 4/3 \approx 1{,}33$. O comprimento de 129 pm é intermediário entre ligação simples (143 pm) e dupla (123 pm), coerente com ordem 1,33. ✓
4.
| Espécie | Pares tot. | Pares livres | Geometria | Ângulo | Polar? |
|---|---|---|---|---|---|
| BeCl₂ | 2 | 0 | Linear | 180° | Apolar (simétrica) |
| BF₃ | 3 | 0 | Trigonal plana | 120° | Apolar (simétrica) |
| CH₄ | 4 | 0 | Tetraédrica | 109,5° | Apolar (simétrica) |
| NH₃ | 4 | 1 | Piramidal triangular | ~107° | Polar |
| H₂O | 4 | 2 | Angular | ~104,5° | Polar |
| PCl₅ | 5 | 0 | Bipirâmide triangular | 90°/120° | Apolar (simétrica) |
NH₃ e H₂O são polares porque a presença de pares livres quebra a simetria, fazendo o vetor soma dos dipolos de ligação diferente de zero.
5.
- (a) HF: $\delta = \mu/d = (1{,}82 \times 3{,}336\times10^{-30})/(91{,}7\times10^{-12}) = 6{,}07\times10^{-20}$ C; em frações de $e$: $\delta = 6{,}07\times10^{-20}/1{,}602\times10^{-19} \approx 0{,}41\,e$ (41% de caráter iônico). HCl: $\delta = (1{,}08 \times 3{,}336\times10^{-30})/(127{,}4\times10^{-12}) = 2{,}83\times10^{-20}$ C; $\delta \approx 0{,}18\,e$ (18% de caráter iônico).
- (b) HF tem maior caráter iônico: $\Delta\chi(\text{HF}) = 4{,}0 - 2{,}2 = 1{,}8$ vs. $\Delta\chi(\text{HCl}) = 3{,}2 - 2{,}2 = 1{,}0$. O F é muito mais eletronegativo, polarizando muito mais a ligação.
- (c) Apesar do comprimento menor do HF (91,7 pm vs. 127,4 pm para HCl), a carga parcial $\delta$ do HF é muito maior (0,41e vs. 0,18e), e como $\mu = \delta \cdot d$, o efeito da carga supera o da distância menor: $\mu(\text{HF}) = 0{,}41 \times 91{,}7 > \mu(\text{HCl}) = 0{,}18 \times 127{,}4$.
Fim da aula — QG101 | Química Geral